terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OLHOS NEGROS - Marcelo Ribeiro Dantas


OLHOS NEGROS

Tuas mãos sobrevoam minhas fronteiras,
lentas como o luar e a luz das estrelas,
quentes como lotadas fornalhas do inferno.
Tuas mãos são suaves, mãos genocidas.

Teus olhos me admiram repletos de enigmas,
fulgurantes como paisagens de begônias infindas,
ameaçadores como buracos-negros insaciáveis.
Teus olhos são singelos, olhos predadores.

Presente em ti sou clímax de paixão devassada...
retraída deslumbrada...
virgem torturada.

5 comentários:

Aninejf disse...

Linda Poesia.......

Jussara disse...

Esses olhos são enfeitiçados, ou enfeitiçam...

Akira disse...

olhos de remela

decadência poética...

Akira disse...

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja esta mão vil que te afaga,
Escarra nesta boca que te beija!

Augusto dos Anjos
http://www.fortunecity.com/victorian/bolsover/236/sonetos.htm

Akira disse...

Singapore

Nós velamos esta noite para Cingapura, estamos tão loucos como os chapeleiros daqui. Eu cai em um "tawny moor", saído do livro de Nod. Embebi-me com todos aqueles chineses; andei nos esgotos de Paris; dancei junto a um vento de diversas cores, pendendo em uma corda de areia. Você me deve um "adeus". Não vá dormir enquanto estiver em terra: Trespasse seu coração e aguarde a morte. Quando ouvir o choro das crianças deixe que a medula óssea e o cutelo escolham, enquanto fazem dos pés sapatos infantis. Através do beco, de volta para o inferno, quando você ouvir o sino do campanário, você deve me dizer "adeus".
Limpe o barco com gasolina até seus braços ficarem fortes. De agora em diante, rapazes, este barco é sua casa, então... Hastiar vela, marujos!
Velejamos esta noite para Cingapura, peguem seus cobertores do chão, lavem suas bocas, por aquela porta ali! A vila toda é feita de minério de ferro, cada testemunha vira vapor. Eles se tornam sonhos à italiana.
Encham os bolsos de terra. Arranjem um dolar furado. Para longe, rapazes! Adiante, marujos!
Hastiar velas!
O capitão é um anão de um braço só.
Ele está jogando dados em algum lugar no cais. Na terra dos cegos, o ciclope é rei, por isso tome este anel. Velejaremos de noite para Cingapura, estamos tão loucos como os chapeleiros dali...

Tom Waits