quinta-feira, 26 de março de 2009

O Livro - Aline C. Costa


Hoje sentia uma perturbação diferente... Tudo estava estranhamente claro para meus olhos acostumados a verem a escuridão da vida. Sentia uma alegria sonsa. Fiz tudo o que me dispus a fazer naquela rotina morna, depois da academia andei sem direção direcionada, precisava reatar uma amizade que de propósito afastei de mim por puro egoísmo e egocentrismo. Voltei para casa renovada quando percebi um embrulho de papel pardo na minha cama, intocado. Isso já me causou curiosidade, como em sã consciência meus familiares deixaram minha individualidade sem marcas digitais? Peguei o embrulho nas mãos, com aquela etiqueta amarela escrito sedex e uma euforia de criança pulsava em minha veia. Eis que chegara, o tão esperado livro da amiga Dulce, estava agora em minhas mãos, podia tocá-lo com aquela cumplicidade que o computador não nos dá, podia cheirá-lo e abri-lo bem devagar para não quebrar. Olhei a capa meio aquarelada com uma menina inibida, destas de filmes antigos, daqueles tempos em que as moças ainda sentiam vergonha, percebi as pernas levementes cruzadas com a mãozinha posta em cima do joelho, aquele semblante puro mais investigativo. Percebi na menina uma futura mulher questionadora e perceptiva para as coisas da vida, da família, da simplicidade. Os grandes escritores retiram o perfume nas pequenas flores e transbordam complexidade nas passagens corriqueiras da vida. Sempre constatei essa riqueza na escrita da Dulce e alegrou-me muito ter em minhas mãos esta jóia rara de escrita pura entrelaçada na complexidade do significado de escrever.
...

3 comentários:

Dulce disse...

Anine,
estou sem palavras, tocada, não sei rio ou se chor de emoção... Obrigada, amiga, obrigada... Foi muito lindo o que escreveu.
beijos

aninejf disse...

Só ria... Ficarei mais feliz ainda...

Dulce disse...

Mas eu estou rindo atoa!... rs