sábado, 3 de janeiro de 2009

Lágrimas Ocultas - Florbela Espanca


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!


E fico pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida de um lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,


Ninguém as vê brotar dentro da alma,
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Um comentário:

Akira disse...

adorei a poesia da tespanca, mas pq duas vezes?