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domingo, 25 de janeiro de 2009

Matéria passada, espírito do futuro... Akira


O ferro de engomar como se fosse um galo de costas para a rua, em Marcelo de outro tempo, do parapeito da janela, em pleno vento matutino, cheio de brasas vermelhas: assim eram as roupas da memória.
A abertura visual do sonho lançando tudo para um horizonte de vertigens: vi aí as cores ardentes do alucinado que certo dia despertou e voltou a dormir com olhos entreabertos.
Sou da matéria passada, espírito do futuro!

Ninguém! Akira


Ninguém!

Na escolha e na espera está a miséria!
Não veremos nunca a paisagem além da montanha,
Não teremos o coração rejuvenescido do doce ideal,
Nem provaremos o alimento capaz de nutrir nossas
entranhas mais profundas!

Certo dia supomos ser alguma coisa, e um relâmpago nos rompe por dentro: algo que pensávamos não ser, somos! Podemos chegar a ser possuídos por nós mesmos... Nasce, então, algo tão selvagem e diabólico quanto o primitivo que nunca abandonamos, e começamos nossa nova guerra pela claridade. Cada ideal tomba, cada amor, cada apego, cada fantasia. E vem a morte por fim e nos toma a vida! Mas nada se perde...

Só há um único segredo: quem de fato fez a pergunta sobre o segredo único?

Ninguém!