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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sina - Marcelo R. Dantas


Terceira negra afetação



Vestígios enlutados insertos
aleivosa arrogância traga meus quereres

pensamentos muliados escalam projetos
e errante anda meu amor tão submisso

com suarda, minha alma ainda exora
ascético é meu ímpeto à verdade

no cume da cocanha lucila minha sina


..........

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Quousque tandem... Marcelo R. Dantas


Um enforcado me deu ar
E sua suspensão me deu chão,
Mas é em uma praia do futuro íntimo
Que arremesso todo o meu destino.
Lugar onde as montanhas pulsam
E o mar escorre em liberdade,
Pleno, vasto e infinito em si mesmo.

Minha mente contempla caleidoscópica
Um horizonte de alucinações reais,
Todas as dimensões fundidas em uma,
Aqui se extinguem os tempos frios
E se quebram os enigmas do cárcere.
Essa é a casa da minha alma!

Até quando serei errante?
Nômade em mim mesmo,
Isso é o que eu sou!
.......

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vidraça - Marcelo Ribeiro Dantas


São tênues os fios de luz
que atravessam a vidraça.
Olho a madrugada
e vejo a vida
tentando renascer,
rompendo a noite
nas brumas de um tempo morto.
Sou prisioneiro de mim
quando procuro
uma verdade longínqua
entre névoa da minha insensatez
e a claridade que me surpreende
a cada amanhecer.
Quero sepultar os medos
e as incoerências
nesse solo frio
da minha incredulidade futura.
O amanhã se faz presente
em casa esperança morta.
O ontem é uma paisagem desértica
nas pegadas do passado,
pegadas que ainda me circundam.
Como reverter toda essa angústia,
todo esse estigma
que aniquila minha emoção
e deixa vestígios de um solêncio
efêmero e sutil?
Como debelar essa saudade
que me sufoca
submergindo lembranças
num mar de desespero?
Imagino a franja larga das ondas
sobre a areia, um lindo mar,
e busco a minha paz
no incomformado
e estranho personagem
de ficções e mentiras
que habita meus sonhos:
Ingenuidade de um delirante.
Encontro em mim, apenas
essa sombra escondida, descrente,
que agora espreita o mundo
através da vidraça
e todo meu amor
por ti, Aline!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OLHOS NEGROS - Marcelo Ribeiro Dantas


OLHOS NEGROS

Tuas mãos sobrevoam minhas fronteiras,
lentas como o luar e a luz das estrelas,
quentes como lotadas fornalhas do inferno.
Tuas mãos são suaves, mãos genocidas.

Teus olhos me admiram repletos de enigmas,
fulgurantes como paisagens de begônias infindas,
ameaçadores como buracos-negros insaciáveis.
Teus olhos são singelos, olhos predadores.

Presente em ti sou clímax de paixão devassada...
retraída deslumbrada...
virgem torturada.

Apenas Poetas - Marcelo R. Dantas


Entre nuvens brancas, abaixo do céu azul,
Moram os amantes corações solitários,
Incompreendidos, por vezes maltradados,
Rejeitados justamente pelo seu intenso amor.

Sonham com a ternura com a sua alma desnuda,
Desejam intensamente o fluxo do carinho constante,
Satisfazem-se com a felicidade do semelhante,
Se pudessem e deixassem, beijariam cada uma das criaturas.

Mas, lá estão eles, sós, expurgados do mundo.
Maltratados na terra, açoitados como se fossem vagabundos,
e ainda assim, lá em cima, escrevem as letras mais do que belas,
Preenchem de amor todas as almas, sofrem por serem apenas poetas.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Asas Partidas - Marcelo R. Dantas


Sonhos de asas partidas
coração em chamas e corpo em brasas,
vesti um sonho de asas douradas.
Partimos eu e o sonho, numa viagem
em busca de tua imagem.
Muito busquei por caminhos errantes
perguntando aqui e ali.
Andei por crepúsculos e auroras boreais
busquei tesouros atrás do arco-íris.
Enfrentei perigos fatais
desertos, destroços eu vi e vivi.
Levava em meu ser teu retrato
mas isso não facilitou a busca.
Em ninguém encontrei tua imagem
Em algumas enganei-me com a sombra de ti.
Ao encontrar-te, constato:
longa foi a minha busca
e por isso em prantos desato.
Tua face é a mesma de meus delírios,
teus sonhos são poucos, foram outros,
e os meus... por que não reconhecê-lo?
- perderam um pouco o brilho que ofusca.
Fugindo para além dos montes
correndo atrás de teus longes...
serão vencidos pelos pecados?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Meu Amor..... Marcelo R. Dantas


Deixa que eu sinta um momento novo
e talvez quando houver o nosso encontro
vejas em mim a marca dessa ausência.

Deixa que eu queira te sentir presente
e talvez se eu disser o quanto te espero
mostre em ti o quanto me esperavas.

Deixa que eu possa te buscar agora
e talvez nunca mais nosso universo
conheca as brumas desta solidão.

Deixa que eu possa, nesta hora triste,
crer que também, talvez, estou contigo,
e a dor que é minha em ti se esgotou.

Amor em verde de meus olhos - Marcelo R. Dantas


Amor em verde de meus olhos
e no branco de tua pele
Nuvens brancas
espumas flutuando os céus
Brancas alegrias
pinceladas impressionistas
descendo sobre os cimos
da felicidade
Branco em flor
campo de margaridas
ondulando ao vento
Branco-amor
esvoaça em lençóis e cortinas
desnudando os corpos no quarto
róseos, ardentes, úmidos e ungidos
Branco enevoado do ar
em cheiro de beijos ávidos
do encontro que exala
e enche a casa
perfuma a brisa e se espalha
por entre as ondas suaves
do marinho desejo,
ornando a cena, túrgido e cingido
ao azul celeste da Terra em cio.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sideração - Marcelo R. Dantas


Fluindo em cada folha que voa desprendida

vão delir-me na ssomada do corte fatal.

Um ser trincado!

A fenda... a deflação me lança ao chão

e é nessa colisão do ar com a terra,

no diálogo abissal do Alto com o Baixo,

que um interslício me faz intermitir,

Insurjo-me diante da greta por onde

eu e Deus nos fitamos...

... nossos olhos são os mesmos...

Desvaneço no absoluto da analução que celebro.

Nos teus olhos anis - Marcelo R. Dantas


Nos teus olhos anis, regalos d' água,
navegam meus sonhos, um infinito,
Quais velas enfunadas pelo vento,
Meão de êxtase e de espanto
Efêmeras como lindas falenas
não foram esperança minhas
Intermitentes na quaseagonia de luzir,
Mas sinceras, magnânimas siderações
Que lestas rolaram vítreas e grossas.
Porém, agora posso verter de emoção
A derradeira lágrima, a da ufania
Num eterno marejar da retina
Que admira o auge da tua alma já sabida.