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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Dentro de um relógio quebrado - Tom Waits


Dentro de um relógio quebrado,
Espirrando o vinho... Com todos esses Cachorros da chuva
Táxi... Preferimos ir a pé.
Acotovelar-se em um porto com esse cães,
Sou um cachorro da chuva também!
Ah... como dançamos e engolimos a noite!
Tudo foi muito maduro para um sonho
Ah, como dançamos,
Todas as luzes,
Nós sempre perdemos a consciência.
O Rum derramado, forte e magro,
Expulse o gari daqui
Com os cachorros da chuva
Á bordo de um comboio naufrágo
Dê o meu guarda-chuva para um dos cachorros...
Ah, como nós dançamos com a Rose de Tralee
Seus longos cabelos, negros como um corvo.
Ah, como nós dançamos.. E então você me sussurou:
"Você nunca vai voltar para a Casa".

sábado, 20 de dezembro de 2008

Cingapura - Tom Waits


Nós velejamos esta noite para Cingapura,
estamos tão loucos como os chapeleiros daqui.
Eu cai em um "tawny moor", saído do livro de Nod.
Embebi-me com todos aqueles chineses;
andei nos esgotos de Paris;
dancei junto a um vento de diversas cores,
pendendo em uma corda de areia.
Você me deve um "adeus".
Não vá dormir enquanto estiver em terra:
Trespasse seu coração e aguarde a morte.
Quando ouvir o choro das crianças deixe
que a medula óssea e o cutelo escolham,
enquanto fazem dos pés sapatos infantis.
Através do beco, de volta para o inferno,
quando você ouvir o sino do campanário,
você deve me dizer "adeus".
Limpe o barco com gasolina até seus braços ficarem fortes.
De agora em diante, rapazes, este barco é sua casa, então...
Hastiar vela, marujos!
Velejamos esta noite para Cingapura,
peguem seus cobertores do chão, lavem suas bocas, por aquela porta ali!
A vila toda é feita de minério de ferro, cada testemunha vira vapor.
Eles se tornam sonhos à italiana.
Encham os bolsos de terra. Arranjem um dolar furado.
Para longe, rapazes! Adiante, marujos!
Hastiar velas!
O capitão é um anão de um braço só.
Ele está jogando dados em algum lugar no cais.
Na terra dos cegos, o ciclope é rei, por isso tome este anel.
Velejaremos de noite para Cingapura, estamos tão loucos como os chapeleiros dali...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sujeira...no chão - Tom Waits


"Que importa um sonho de amor, ou de mentiras: Estaremos todos no mesmo lugar quando morrermos,
seu espírito vai embora sem conhecer seu rosto ou nome...
e o vento soprando através de seus ossos é tudo o que resta!

E todos seremos poeira no chão
eu disse que todos seremos sujeira na terra
eu digo que seremos todos apenas adubo no solo...

A pena de um abutre, a palavra é escrita com sangue
eu quero saber, se sou o céu ou o pássaro
pois o inferno está transbordando e o paraíso está lotado
estamos acorrentados ao mundo e temos que prosseguir

E o assassino sorria com nervos de pedra
subiu as escadas e a forca rangiu
Os corações todos batiam,
eles estavam pulsando, todos vermelhos
Enquanto ele balançava sobre a multidão, ouvi o carrasco dizer:
Seremos todos excremento no chão
eu disse, seremos todos sujeira no solo

E Caim matou Abel, matou com uma pedra
os céus se abriram e o trovão rugiu
ao longo de um rio de carne,
será que esses ossos secos podem viver??
Um rei ou um mendigo, a resposta que eles darão será:

Seremos todos poeira no solo
Seremos todos sujeira no mesmo chão... Seremos todos apenas poeira pelo chão

Eu sonhei que estava sonhando contigo - Tom Waits


"Eu sonhei que estava sonhando contigo
E de uma janela eu vi você se despir no terraço
Vestindo seu crepúsculo de púrpura preso em torno do seu cabelo
Que subia em cachos de ébano
Movendo-se num quarto de luz amarela
O ar está molhado de som
O latido distante de um cachorro ferido
E o solo bebe como uma torneira pingando
Sua casa é tão suave e some enquanto engole o calor do verão escuro
Uma luz se esvai e uma porta se abre
E um gato amarelo corre até o pátio
Um cheiro de framboesa amadeirada está respirando com calma pelo ar
Escuto sua risada de champagne
Você veste sua lavanda de orquídea
Uma em seus cabelos e outro em sua cintura
Uma corda de luzes de carnaval aparecem na aurora
Circulando o lago com um halo lento
E eu escuto um banjo tocando tango
E você dança à sombra da árvore escura
E eu observo-a enquanto desaparece
Eu a observo enquanto desaparece
Eu a observo enquanto desaparece..."

E os dentes da lua - Tom Waits


"E os dentes da lua fazem marcas e estão no céu como uma panela jogada sobre tudo isso
E os guarda-chuvas quebrados como
pássaros mortos e o vapor sai da frigideira como se toda a maldita cidade estivesse pronta para explodir.
E os tijolos estão repletos de tatuagens de cadeia
E todos se comportam como cachorros.
E os cavalos descem a Rua do Violino
E o Holandês está morto de cansaço
E os quartos cheiram a oléo diesel
E você pega os sonhos de cada um que dormiu aqui.
E estou perdido na janela
Escondo-me na escada
Penduro-me na cortina
Durmo dentro do seu chapéu
E ninguém traz algo pequeno em um bar aqui perto
Eles começaram todos com más intenções
E as garotas atrás dos balcões têm lágrimas tatuadas
Cada uma para cada ano que ele está fora, ela diz,
Que beleza degradante, mas não há
Nada que nenhuma nota de cem dólares não possa resolver, ela tem aquela tristeza afiada
Que só piora com o barulho e o trovão do Oceano Pacífico enquanto o relógio pinga como uma torneira
Até você estiver cheio de água suja, amargura e tristeza
E se você cuspir ao lado de alguém que lhe escute
E eu vi de tudo
Eu vi de tudo atrás das janelas amarelas
Do trem noturno."