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sábado, 23 de maio de 2009

Audio Poema Em Prosa e Verso Mulher de Papel - Clarice Lispector

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Clarice Lispector

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever Clarice Lispector

Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. Clarice Lispector

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Audio Livro - Prosa e Verso Clarice Lispector


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

"Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.Sou um coração batendo no mundo."
Clarice Lispector

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domingo, 26 de abril de 2009

Prosa Falada - Clarice Lispector


"Eu misturei tudo, eu lia livro, romance para mocinha, livro cor de rosa, misturado com Dostoievski, eu escolhia os livros pelos títulos e não por autores, porque eu não tinha conhecimento...fui ler aos 13 anos Herman Hesse, tomei um choque: O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora. "

sexta-feira, 3 de abril de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

Curso de Extenção Encontros com a Literatura: Download de Livros


Curso de Extenção Encontros com a Literatura:

14 de março a 30 de maio de 2009
DATA DE INSCRIÇÃO: de 03 a 13 de março de 2009
INSCRIÇÕES: www.ufjf.br ou central de atendimento (campus universitário).

PROGRAMA

DATAS Livro / AUTOR / Conferencista

14 de março Tenda dos milagres. JORGE AMADO. Prof. Dr. Gilvan P. Ribeiro. Download

21 de março Oráculos de maio. ADÉLIA PRADO. Prof. Dr. Edimilson A. Pereira.

28 de março A hora da estrela. CLARICE LISPECTOR. Prof. Dr. Fernando Fiorese Download

04 de abril Sonho de uma noite de verão. WILLIAN SHAKESPEARE. Prof. Dr. Rogério S. S.
Ferreira. Download

18 de abril Poemas. JOÃO CABRAL DE MELO NETO. Profa. Dra. Ude Baldan (UNESP). Download

25 de abril Ossos de sépia. EUGENIO MONTALE. Profa. Dra. Prisca Augustoni. AudioLibri

09 de maio Madame Bovary. GUSTAVE FLAUBERT. Profa. Dra. Jovita G. Noronha. Download

16 de maio Viagem do elefante. JOSÉ SARAMAGO. Profa. Dra. Maria Luiza Scher.

23 de maio Budapeste. CHICO BUARQUE. Prof. Dr. Alexandre Graça Faria. Download

30 de maio Contos negreiros e Rasif – mar que arrebenta. MARCELINO FREIRE. Profa. Dra.
Terezinha Scher.

06 de Junho Grande Sertão Veredas - GUIMARÃES ROSA - Prof Dr. Gilvan Procópio Ribeiro Download
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sobre as Poesias de Clarice Lispector.


Observações importantes:

Como Clarice Lispector nao escrevia poesia, até aonde eu sei, um Padre pegou fragmentos dos seus livros e com esse material em mãos conseguiu fazer uma releitura poética de seus contos, isso foi possível somente porque a escrita da Clarice é poética, mesmo que muito densa. E diga-se de passagem, este Padre merece meus humildes parabéns porque as poesias ficaram maravilhosas....


A fonte dos poemas de Clarice:

1. “Dá-me tua mão”, in: A Paixão segundo GH, 8. ed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1979, p. 94

2. “A Perfeição”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 226

3. “Mas há a Vida”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 539

4. “Amor à Terra”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 302

5. “Meu Deus, me dê a coragem..”, in: Um Sopro de Vida, 4. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1978, pp. 154-155

6. “A Lucidez Perigosa”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 636

7. “Nossa Truculência”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 386

8. “Estrela Perigosa”, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981, p. 82

9. “Quero escrever o borrão vermelho de sangue”, in: BORELLI, Olga. Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981, p. 65


As poesias foram retiradas do site: http://www.secrel.com.br/jpoesia/cli.html

Estrela Perigosa - Clarice Lispector



Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.

No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Meu Deus, me dê a coragem - Clarice Lispector


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A perfeição - Clarice Lispector


O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A lucidez perigosa - Clarice Lispector


Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quero escrever o borrão vermelho de sangue - Clarice Lispector


Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Dá-me a tua mão - Clarice Lispector


Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre a Escrita - Clarice Lispector


Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.

Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.

Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.

Simplesmente não há palavras.

O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.

Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.

Simplesmente as palavras do homem.