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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Poesia de Improviso Terceira Parte - Jussara Alves


Capitu sorriu para animar-me
Como se possível fosse então
Retirarme desse poço
De constante humilhação

Aquele meu sorriso largo
De repente em turbilhão
Abandonou-me só no barco
Do mar da inquietação

Ao léu sob o intenso sol
De um infindável verão
Queima minha pele escaldada
De tanta desilusão

E na fria noite sem fim
Do inverno em meu coração
Congela-me as esperanças
Em novos tempos que nunca virão

Procuro abrigo nos amigos
Nos desconhecidos uma mão
Em mim procuro a saída
Tento em vão a salvação

Família nada percebe ou não
Quer aconselhar ou dar sermão
Enquanto isso prossigo só
Em meio à impiedosa multidão

Amigas e amigos
Capitus do meu viver
Dentro de mim há um vácuo
Que preciso preencher

Um abraço é tudo que eu preciso
E tudo que não posso ter,
Isso que vês não são lágrimas
É a forma liquefeita do meu sofrer

Retirada da Obra de Machado de Assis "Dom Casmurro" a frase:Capitu sorriu para animar-me

domingo, 18 de janeiro de 2009

Amigo.... Jussara Alves




Você que sempre me ouve
Mesmo que eu nada tenha a lhe dizer
Você que sempre me fala
Tudo que realmente preciso ouvir
Mesmo que nem sempre adoce as palavras
Você que me vê por inteira
Corpo, alma e sentimento
Que entendes meus ois e olás
Percebendo se estou a rir ou a chorar
Que respeita o meu silêncio
Tentando sempre quebrá-lo com um sorriso
Você que não tem tempo nem pra si próprio
Mas pra mim tem todo tempo do mundo
Que não me economiza seus elogios
Que acha graça nas minhas caretas e denguinhos
Que me valoriza cada palavra
Mesmo que essas rasguem seu peito
Que se aflige com meus lamentos
E se alegra com minha felicidade
És um anjo onipresente em minha vida
Que cumpre brilhantemente a missão de fazer-me sentir tão bem
Desejo profundamente um dia conseguir retribuir pelo menos em parte
Tudo que fazes e proporcionas a mim
Nem que seja afogando-te com meus abraços...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Saudades - Jussara Alves


Quantas saudades
daquilo que eu nunca tive.
Que falta me faz
as palavras que eu nem ouvi.
Ah que suave lembrança
dos momentos que eu não vivi.
Nostalgia tão letal quanto deliciosa
de emoções que eu sequer senti.
Doce pesar da ausência
daquele que eu nunca vi.
Recordações amargamente adocicadas
dos beijos que jamais recebi.
Um leve desejo avassalador
de voltar a possuir
os sussurros ouvidos em tempo nenhum.
Um querer novamente
os toques não sentidos em minha pele
as carícias de ti não obtidas
os abraços de nunca mais.
Um brinde à essa cascata nostálgica
na qual meu corpo se deixa banhar...